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Artista radicada na Paraíba lança single e videoclipe que dão luz aos indígenas não aldeados

Nesta sexta-feira (28), a multiartista Radda Leite lança simultaneamente, nas principais plataformas de streaming e no YouTube, o single e o videoclipe ‘Coco Ancestral’. O trabalho nasce de um processo íntimo de retomada indígena, ainda em curso, e traz à tona um tema urgente, a existência e resistência dos povos indígenas não aldeados.

A música expressa a conexão de Radda com a memória e a ancestralidade, o resgate da própria história e a força da espiritualidade como sustento na luta contra o apagamento de si mesma. “É importante reconhecer e valorizar a existência indígena e sua cultura na nossa sociedade”, afirma a artista.

Nascida em Brasília, filha de mãe paraibana, de Catingueira, e pai pernambucano, de São José do Egito, ambos no Sertão, Radda Leite mudou-se para João Pessoa aos 17 anos para estudar Serviço Social na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), cidade onde, aos 20 anos, teve seu filho. Em sua família, como na de muitos, a ascendência indígena foi silenciada por gerações. “O que se conta na família é que uma indígena foi caçada a dente de cachorro para se casar”, conta Radda.

Ela relaciona sua história pessoal a um processo histórico mais amplo. “Proibidos de falar suas línguas, praticar suas crenças, usar seus nomes indígenas e assumir sua identidade, sob risco de punição e morte, muitos desses povos foram oprimidos e, por questão de sobrevivência, deixaram de transmitir língua, costumes e memória aos seus descendentes. Muitos também tiveram seus territórios roubados e precisaram se deslocar, inclusive para as cidades”, completa.

Hoje, em João Pessoa, Radda integra uma organização comunitária de indígenas urbanos, entre eles pessoas aldeadas e não aldeadas, que no ano passado promoveu a primeira grande confraternização do povo Kariri na Paraíba. É nesse movimento de retomada, de reaver o que foi tirado sem consentimento, que a artista situa seu trabalho. “Quanto mais se estuda e se descobre sobre o apagamento e o epistemicídio indígena no Nordeste, mais evidente se torna a crueldade intencional com que a autoestima e a identidade desses povos foram desmanteladas, o que já me gerou raiva e revolta”, revela Radda.

Para a artista, seus descendentes carregam heranças que vão além da genética: estão na maneira de ser, de se relacionar, nas crenças e na espiritualidade, presentes através da ancestralidade. Segundo ela, os ancestrais estão ligados aos vivos por uma linha invisível, que se expressa na forma de ser das pessoas, algo que sente na própria trajetória. Mesmo sem ter nascido em aldeia, conta que foi reconhecida por indígenas de diferentes etnias ao longo de toda a vida, inclusive quando ainda não reconhecia essa parte de si, e teve apelidos indígenas na infância.

Mulher, mãe, percussionista, compositora, cantora e produtora cultural, Radda Leite começou a pesquisar a cena musical ainda aos 16 anos, em Recife, onde aprendeu a tocar maracatu sob orientação de Mestre Ulisses e Mestre Lua, em Olinda. Aos 17 anos, ao se mudar para João Pessoa, descobriu o coco de roda na Paraíba, gênero ao qual se dedica junto a outros da cultura popular nordestina.

Foi cofundadora e integrante de projetos como Bando Forrasta, As Batuqueiras e Coco Encantaria, além de ter passado pelos grupos de maracatu Maracahyba e Maracatu Estrela de Serra. Agora se lança como cantora autoral solo, dando continuidade a uma trajetória dedicada a valorizar as manifestações e os fazeres tradicionais ligados à cultura afro-indígena do Nordeste.

Sua pesquisa a levou a quilombos, terreiros, pontos de cultura, festejos e manifestações populares por Pernambuco, Paraíba, Distrito Federal, Bahia e Ceará. Entre eles as Sambadas do Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, no Distrito Federal; a Festa da Lavadeira, os Tambores Silenciosos, o Maracatu Estrela Brilhante (Nazaré da Mata), a Estrela Brilhante (Recife) e a Estrela Brilhante (Igarassu), o Coco do Pneu, o Coco de Umbigada e o Coco de Xambá, em Pernambuco; o coco de roda do Quilombo do Ipiranga e o Coco da Mestra Penha, na Paraíba; e o Coco de Toré, de Pernambuco e Paraíba.

Sua formação também passa por oficinas de música com mestres da cultura popular, como Mestre Bidoga, Mestre Ulisses, Adiel Luna, Bongar, Alessandra Leão, Ana Diniz, Rodrigo Felix e Leo Caboco. Entre os projetos que participou estão o Festival de Cultura Popular Raízes Nordestinas, o Encontro de Coco de Mané João do Pina, a III Edição do Festival Independente Encantaria da Mata e o Festival Perfofeminas. Além disso, assinou o projeto de música e videoclipe ‘Jangadeiro’.

O single e o videoclipe ‘Coco Ancestral’ foram gravados nos territórios de Cabedelo e Conde, na Paraíba, com equipe majoritariamente paraibana.

Fonte: Espaço-PB com Assessoria (Terracota) – Foto: Divulgação 

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