Tourada estão proibidas na Plaza México, considerada a maior arena do mundo MARIO GUZMÁN/EFE

Justiça do México proíbe touradas na maior arena do mundo

Juiz afirma que os animais passam por ‘sofrimento desnecessário’; decisão pode influenciar outras suspensões pelo país

A justiça mexicana proibiu a realização de touradas na Plaza México, na Cidade do México, considerada a maior arena no mundo com espaço para 42 mil pessoas. A decisão foi divulgada na última sexta-feira (10) depois que o juiz do tribunal administrativo Jonathan Bass Herrera acatou a um pedido da organização Justicia Justa. As informações foram publicadas pelo jornal espanhol El País.

O argumento usado para pedir a suspensão desses espetáculos foi que as leis que permitem as touradas são inconstitucionais porque permitem que os animais sejam tratados de forma degradante.

“A suspensão definitiva não viola a ordem pública e nem afeta o interesse social, mas, ao contrário, permite que as autoridades exerçam seus poderes legais para impedir violações do direito ao meio ambiente saudável que causa mortes injustificadas, cruéis e o sofrimento desnecessário de touros bravos”, escreveu Bass em sua decisão.

O juiz descreve em 50 páginas os detalhes dos danos emocionais e físicos que são causados aos animais durante as touradas: “Dor excessiva e agonizante que leva à morte por hemorragia grave ou parada respiratória.”

Em nota, a empresa Tauro Plaza México disse que “continuará sua defesa legal dos costumes e tradições mexicanas” para lutar a favor das touradas. Em 76 anos, esta é a primeira vez que o espaço está proibido de realizar a atração, tirando o período em que as atividades foram suspensas devido à pandemia de Covid-19.

Segundo a imprensa espanhola, os responsáveis por organizar esses eventos na capital mexicana têm 10 dias para recorrer à decisão da justiça. Durante o processo judicial, que pode durar meses, os touros e os toureiros permanecerão afastados da arena.

“As touradas não são declaradas inconstitucionais, mas sim reconhecidas pela constituição”, disse ao El País Mario Zulaica, gerente da empresa que administra a arena.

A decisão afeta apenas a Plaza México, mas é uma brecha para que decisões semelhantes sejam tomadas pela justiça mexicana em outras cidades.

Fonte – R7