Você se lembra de Chiquinho Alegria?

Por Serpa Di Lorenzo

Ele nasceu na histórica cidade sertaneja de Piancó, Paraíba, precisamente no dia 30 de julho do ano de 1951, os seus pais o batizaram com o nome de FRANCISCO PAULINO SOBRINHO, mas para o mundo da bola ele ficou conhecido como o arisco e driblador ponta direita “CHIQUINHO ALEGRIA”. Tudo começou no final da década de sessenta nas categorias de base do Treze Futebol Clube, o então famoso TREZINHO, que na época revelava excelentes jogadores para compor o quadro profissional de vários clubes paraibanos.

Chiquinho Alegria iniciou a sua carreira profissional em 1970, jogando com as cores verde e branca do tradicional Nacional Atlético Clube, da acolhedora cidade de Patos PB. O seu habilidoso e ofensivo futebol logo chamaria a atenção dos grandes clubes do nosso estado, como ocorreu em 1972, quando vestiu a camisa do Botafogo Futebol Clube, e, em 1975, quando honrou o manto do Treze Futebol Clube.

Mas o seu destino era o de atleta cigano, com passagem em várias equipes de vários estados desse Brasil, Cabôco de Mãe Preta e Pai João. O nosso homenageado jogou na Associação Atlética Portuguesa, da cidade de Santos SP; passou uma temporada no Londrina Esporte Clube, da próspera cidade de Londrina PR; atuou na Apucarana Sports Clube, da cidade de Apucarana, PR; fez excelente temporada no Coritiba Foot Ball Club, da cidade de Curitiba PR; contribuiu com a equipe do Toledo Esporte Clube, da cidade de Toledo PR e jogou no Futebol Clube Cascavel PR.

Ele também jogou no Botafogo Futebol Clube, da rica cidade de Ribeirão Preto SP; Sport Clube São Paulo, da cidade de Rio Grande RS; Esporte Clube Internacional da cidade de Santa Maria RS e finalmente no Esporte Clube 14 de julho, com sede em Santana do Livramento RS, onde lamentavelmente fraturou a tíbia e o perônio resultando no encerramento de sua exitosa carreira em 1985.

Chiquinho Alegria lembra que enfrentou vários laterais esquerdos que o marcaram com bastante segurança e determinação, outros de forma viril, porém não esquece de citar o nome de Vladimir, do Sport Club Corinthians Paulista, que o marcava em cima do lance sem dar espaço para dribles e cruzamentos. Também nunca esqueceu dos ensinamentos obtidos com o senhor Virgílio Trindade, antigo treinador do Nacional Atlético Clube, cidadão de bem que o orientou bastante justamente em seu início de carreira na prazerosa cidade de Patos, a famosa morada do sol.

O nosso homenageado era um ponteiro direito raiz, daqueles que quando pegava a bola ia de imediato para cima do seu marcador, efetuava o drible, corria até a linha de fundo e cruzava na medida para aqueles que vinham acompanhando o lance e se posicionavam na grande área. Fazia gosto, assisti-lo jogar com a camisa sete nas costas. Em sua carreira vários fatos importantes e de destaques ocorreram nos diversos clubes em que passou. Todavia, para ele o mais importante foi o fato de realizar o sonho de criança que era um dia ser jogador profissional. Também se orgulha de ter sido campeão paraibano, em 1975, defendendo as cores do Treze Futebol Clube e em 1979 ser campeão paranaense com a camisa verde e branca do tradicional Coritiba Foot Ball Club.

Hoje, aposentado, morando na belíssima cidade de Petrolina, Pernambuco, Chiquinho Alegria manuseia as fotografias das equipes em que jogou, lembra dos gols que marcou e com saudade recorda do tempo em que a torcida gritava o seu nome. Era uma época em que não se ganhava dinheiro como jogador de futebol, os gramados não eram os tapetes atuais, as chuteiras e uniformes não possuíam o conforto de hoje, mas a bola era tratada com bastante carinho, intimidade e conhecimento.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas paraibanos, ficou a certeza de que o cidadão FRANCISCO PAULINO SOBRINHO, o popular “CHIQUINHO ALEGRIA”, escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

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SERPA DI LORENZO – Colunista, escritor, delegado da Polícia Civil/PB, cronista esportivo e ex-auditor do TJDF-PB