No fundo do poço

*Por Carlos Vieira

O futebol paraibano já viveu dias áureos, muito diferente do momento atual, com estádios lotados e jogos memoráveis que ficaram eternizados na mente dostorcedores. Não é apenas saudosismo, porque o passado serve de referência paranossa vida, mas de uma história futebolística que marcou uma época de ouro. As principais praças de esportes do nosso futebol – Estádios Almeidão e Amigão – foram palcos de jogos inesquecíveis que levaram os torcedores ao delírio, por conta das disputas de títulos estaduais. Essas competições eram bastante valorizadas em todo país ao contrário de que acontece hoje, já que muitas federações estudam extingui-las, por causa do prejuízo financeiro que elas representam.
Os clássicos Botafogo x Treze; Botafogo x Campinense; e Treze x Campinense traziam brilho e glamour aos estádios pela importância que sempre representaram, seja na disputa de títulos ou até mesmo em se tratando de amistosos. A rivalidade entre os três maiorais do futebol paraibano sempre foi marcante, mas atualmente perdeu um pouco o brilhantismo.
A paixão do torcedor pelo futebol é imensurável. É um caso de amor e ódio. Todo esse elã de repente pode se transformar em tristeza, decepção, revolta e indignação, quando um clube mergulha no caos quase infinito, por conta de péssima administração de seus dirigentes. É um momento de muita dor e amargura.
Grandes clubes do futebol mundial já tiveram a infelicidade de provar desse gosto amargo de administrações negativas que os levaram ao fundo do poço. Foram muitos no Brasil, mas prefiro citar apenas Botafogo e Campinense, na Paraíba. O Belo já viveu grandes crises, de muita turbulência, que os torcedores já não acreditavam tanto na volta por cima. A Raposa também trilhou o mesmo caminho, chegando a ser ameaçado de perder até o seu próprio estádio.
Para tristeza de milhares de torcedores, a bola da vez é o Treze. Administrações pífias, grave crise financeira e campanhas medíocres nas competições disputadas marcam a trajetória do clube. Vale lembrar que, em 2022, a equipe vai disputar apenas o Campeonato Paraibano, pois está fora de outras competições nesse momento de crise.
É uma vergonha o que está acontecendo com o Galo da Borborema, um clube de massa e tradicional de tantas glórias que enobrece o futebol paraibano. O cenário no Treze está tão nebuloso que serão realizadas eleições no clube no dia 13 de novembro e até o dia 11, um dia antes do término das inscrições, não surgiu nenhum candidato para disputar o pleito.
O momento é de extrema gravidade e todos devem ser unir para tirar o alvinegro campinense do caos. Quem ama verdadeiramente o Treze, não pode deixar, em hipótese alguma, o barco afundar de vez. É preciso espírito coletivo para resgatar das cinzas uma história cheia de glórias como a do Galo da Borborema. Que surja não apenas um, mas inúmeros salvadores do alvinegro. E é pra já!

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CARLOS VIEIRA – Jornalista, colunista, cronista esportivo, ex-diretor da API e Sindicato dos Jornalistas e editor setorial do Jornal A União