Belas primaveras e um panteão de ídolos.

Por Serpa Di Lorenzo

Um grupo de rapazes, sob a presidência de Beraldo de Oliveira, no dia vinte e oito de setembro do distante ano de 1931, em uma pequena e humilde casa de nº 45, localizada na antiga Rua Borges da Fonseca, atual Av. Dom Pedro II fundou o Botafogo Futebol Clube. Daquele dia em diante esse clube não parou de crescer, de dar alegria aos seus simpatizantes e de representar dignamente o nosso estado. Outros jovens foram chegando, se apaixonando e repassando esse sentimento de geração em geração, até os nossos dias.

Essa história vem sendo construída ano após ano, com muita luta, sacrifício, abnegação e como não poderia deixar de ser, com algumas frustrações e decepções. Outros Beraldos de Oliveira foram surgindo, como José Américo de Almeida Filho, Herder Henrique, Assis Camelo, Álvaro Magliano, Carlos Pereira de Carvalho, Aldo Grisi, José Flávio Pinheiro de Lima, Nelson Lira Filho e tantos outros, que de uma forma abnegada deixaram a sua respectiva marca e contribuição a esse clube.

Depois daquela humilde, porém, simbólica casa, o Botafogo fez moradia em vários bairros distintos da cidade de João Pessoa, sendo os mais representativos o do antigo campo Pedro Gondim, em Tambauzinho, onde hoje funciona o Espaço Cultural; o antigo Estádio Olímpico do Boi Só, no Bairro dos Estados, onde hoje funciona uma Vila Olímpica e a atual Maravilha do Contorno, no Bairro do Cristo Redentor.

Em campo, grandes jogadores em todas as posições vestiram e honraram as suas cores, em décadas distintas, dando alegrias e títulos ao clube. Como toda boa equipe começa com um grande goleiro, sob as traves tivemos Pagé, Tempestade, Val, Freire, Lula, Salvino, Hélio Show, Pedrinho,Genivaldo e Fernando, heróis jamais esquecidos pela torcida. Nas laterais, destaque para Galeguinho, Janca, Lúcio Mauro, Zezito, Vinícius, Fantick, Mendes, Zito, Marquinhos, Ramos, Ferreira e Esquerdinha, este último fez sucesso na Europa. Na zaga, Kleber Bonates, Marajó, Valdo, Lando, Telino, Walter Moreira, João Carlos, Deca, Gerailton, Julival, Durval, Salerno, Lúcio Surubim, Plínio e Washington Luís – jogador que mais vezes vestiu a camisa alvinegra, totalizando 438 partidas, com raça e muita dedicação -.

No meio de campo, foram maestros: Vavá, Berto e Tita, Valdeci Santana, Simplício, Odon, Leonecy, Baltazar, Benício, Lenílson, Nicássio, Magno, Roberto Viana, Otávio Souto, Betinho, Victor Hugo, Washington Lobo, Dau, Cássio, Carlos Roberto, Gilmário, Fernando Baiano, Zé Eduardo e Nininho o fiapo de ouro, os dois últimos, bem acima da média. Já, nas pontas, Prince, Dissor, Zito Camburão, Pibo, Vandinho, Serginho, Dadá, Getúlio, Soares, Riva, Rafael Aidar e Ferreira, companheiro de Pelé no Santos Futebol Clube.

E no ataque, foram donos da emoção goleadores como Bola Sete, Pedro Neguinho, Capelense, Mauro, Reynaldo, Jorge Demolidor, Zé Carlos Olímpico, Chico Explosão, Anselmo, Maurício Cabedelo, Warley, Dentinho, Frontini e Chico Matemático, sendo este último o maior artilheiro de todos os tempos, com a marca de 107 gols. Esse conjunto de ídolos, teve a sorte de ser treinado por grandes seres humanos como Eurivaldo Guerra, o seu “Vavá”, Francisco Barbosa Gomes, o seu “Caiçara”, Berto, Mendonça, Pedrinho Rodrigues, Marcelo Vilar e tantos outros que ajudaram a formar a galeria de troféus do clube. No departamento amador, podemos citar ainda, os abnegados Seu Luís da Livraria, Luís Ventola, Prince, Adilson Fabrício e Roberto Oliveira.

O Belo, como é carinhosamente chamado por sua imensa torcida, conquistou vários torneios estaduais e interestaduais. Sendo o maior detentor de títulos estaduais, na Paraíba, e de uma forma espetacular, em 2013, Campeão Brasileiro da Série D. O clube, já recebeu inúmeras homenagens por meio de várias instituições, públicas e privadas, durante essas nove décadas de existência, aqui destacamos o selo comemorativo aos seus 80 anos, homenagem dos Correios e Telégrafos em conjunto com um grupo de conselheiros liderados por José Maria Tavares de Melo Neto.

Acompanhando os novos tempos e rumos do esporte no mundo, em 2009 o alvinegro da estrela vermelha inaugurou o seu departamento de futebol feminino, participando de competição nacional. São as belas do Belo, como carinhosamente foram denominadas pela imprensa. Aqui aproveitamos para homenagear a ex-jogadora e atual técnica Gleide Costa, alicerce do futebol feminino em nosso estado e responsável por colocar a equipe feminina na Segunda Divisão Nacional.

Sendo a torcida o seu maior patrimônio, pois ela acompanha o clube em todas as ocasiões, boas ou ruins, com chuva ou com sol, aqui ou em alhures, o Botafogo ostenta a marca de maior público do futebol paraibano, fato registrado no ano de 1998, quando em um jogo contra o Campinense Clube, o Estádio Almeidão se viu lotado por uma multidão de 44.268 pagantes. Além da força que vem das arquibancadas e faz existir o clube, como não poderia deixar de ser, em um país religioso e colonizado por católicos como o Brasil, esse patrimônio que é o Botafogo da Paraíba está sob a proteção de Nossa Senhora da Penha, padroeira e protetora oficial do clube, conforme consta nos seus estatutos sociais.

Acompanho o clube desde 1970, assisti treinos e jogos aqui e em outras cidades, vi o vermelho ser incluído no uniforme, escutei pela Rádio Tabajara os jogos realizados na excursão à Europa, pulei de alegria quando Eudes Moacir Toscano narrou os gols da vitória no Flamengo dentro de um Maracanã silencioso e na qualidade de vice-presidente social do clube, dei uma minúscula contribuição na conquista do título brasileiro da série D, em 2013. Mas o melhor de tudo isso, caríssimo leitor, é hoje gozar da amizade pessoal desses verdadeiros artistas que são os ex-jogadores do clube.

Parabéns ao Botafogo Futebol Clube que completa 90 anos de fundação, no dia 28 de setembro de 2021, ajudando a escrever com tintas douradas e perpétuas a brilhante história do futebol paraibano.

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SERPA DI LORENZO – Colunista, cronista esportivo, delegado da Polícia Civil da Paraíba e ex-auditor do TJDF-PB

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