A dança dos técnicos

        * Por Carlos Vieira

                A incessante demissão de técnicos no futebol brasileiro se tornou um fato corriqueiro faz tempo e sem prazo de validade para acabar. A cultura desse triste episódio dentro das quatro linhas do gramado está enraizada e se tornou um caso de amor e ódio envolvendo muita gente – desde o mais apaixonado torcedor até os dirigentes das equipes, passando também por profissionais ligados à imprensa esportiva.

Todos, sem distinção, têm um pouco de culpa na dança dos técnicos. Isso é um fato: basta uma equipe apresentar um desempenho que não agrade à torcida que o treinador passa a sofrer pressão de todos os lados para ser mandado embora. Poucos torcedores entendem que essa troca constante só prejudica os clubes, que são obrigados – muitas vezes –  a contratar profissionais no meio de competições, sem ter participado de nenhum planejamento.

Os grandes clubes são os que mais demitem, porque não aguentam as pressões de torcedores e imprensa. Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo são os quatro grandes do Rio de Janeiro que mais demitiram treinadores no século XXI, dando um péssimo exemplo para outras equipes e desprezo pelos profissionais.

Para se ter ideia dessa dança vergonhosa, de 2001 a 2020 o Botafogo do Rio foi quem mais demitiu treinadores: 34 no total. Na sequência, aparecem Flamengo e Vasco na vice-liderança, com 29 demissões. O Fluminense completa a triste lista dos quatro primeiros, com 28 demitidos, empatado com o Atlético-MG.

Para vergonha de muitos, o ranking da troca de técnicos dos 12 grandes clubes brasileiros no século XXI é seguinte: Flamengo (45), Vasco (44), Fluminense (40), Botafogo (38). Atlético-MG (38), Internacional (35), Palmeiras (31), Cruzeiro (31), Corinthians (29), Santos (28), São Paulo (26) e Grêmio (24).

Dados divulgados no ano passado revelam que o Brasil é o país que mais demite técnicos. O Brasileirão registra uma média de 37,1 trocas de treinadores por temporada, segundo acompanhamento realizado entre 2003 e 2018.

Em 2021, surgiu uma luz no fim do túnel quando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu colocar um limite às constantes demissões de técnicos de equipes da Série A, visando facilitar a organização e o planejamento financeiro dos clubes. Aprovada pela entidade, a nova regra determina que os 20 clubes que participam do Campeonato Brasileiro só poderão demitir dois treinadores por temporada.

A nova regra da CBF, que já está em vigor, estabelece ainda que, se as equipes decidirem por uma segunda mudança, o substituto terá de ser um membro do clube que trabalhe “há pelo menos a seis meses” na instituição. Por sua vez, os treinadores só podem trocar de time uma vez durante a temporada, exceto em caso de dispensa. Já é um grande avança para minimizar essa cultura maldita no futebol. Só nos resta acompanhar para saber se a regra será realmente cumprida ao pé da letra!

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CARLOS VIEIRA – Jornalista Profissional, colunista, cronista esportivo, ex-diretor da API e Sindicato dos Jornalistas PB e editor setorial do Jornal A União

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