Você se lembra de Zito Camburão?

Por Di Lorenzo Serpa

Ele nasceu na próspera cidade paraibana de Santa Rita, precisamente no dia vinte e nove de dezembro do ano de mil novecentos e quarenta e sete, os seus pais o batizaram com o nome de José Jeremias de Lima Filho, mas para o mundo da bola ele ficou conhecido como o centroavante “ZITO CAMBURÃO”.

Como a maioria das crianças daquela época, Zito cresceu batendo bola nos diversos campos que existiam na outrora cidade de Santa Rita e logo foi se destacando como um centroavante rápido e inteligente que sabia marcar gols.

Em 1960, o nosso homenageado já vestia a camisa do Santa Cruz Recreativo Esporte Clube, o tradicional tricolor do canavial. Em 1963, já sendo um dos destaques do futebol daquela cidade, Zito conquistou o seu primeiro título ao ser campeão amador da Liga Desportiva de Santa Rita, sempre jogando de centroavante.

Em 1965, quando vestia a camisa da seleção amadora de Santa Rita, ao lado do então atleta Eudes Moacir Toscano, o dinâmico futebol de Zito chamou a atenção dos dirigentes do Santos Futebol Clube, equipe de nossa capital que era formadora de bons jogadores e que tinha nas pessoas de José Walter Marsicano e Renato Queiroz os seus pilares de sustentação.

No alvinegro de Tereré, como assim era chamado o Santos, Zito Camburão aperfeiçoou o seu futebol e jogou até o ano de 1967, quando os seus gols chamaram a atenção dos dirigentes do Botafogo Futebol Clube, que conseguiram levá-lo para defender as suas cores.

Zito Camburão estreou naquele mesmo ano com a camisa do Botafogo Futebol Clube no antigo Estádio Olímpico José Américo, no Bairro dos Estados, marcando dois gols nas redes do Campinense Clube, fato que a torcida nunca esqueceu e que deu bastante moral ao atleta em seu novo clube.

Em 1968, tendo Assis Camelo como presidente do clube e os reforços vindos do Recife – Toinho, Édson, Jailson e Roberto -, oriundos do Clube Náutico Capibaribe e sob o comando do saudoso treinador Caiçara, Zito fez parte daquele plantel que conquistou o título estadual e que trouxe a hegemonia do futebol de volta a esta capital. Naquele ano ele também passou a jogar de ponta esquerda, sempre aproveitando a sua velocidade e chute forte.

Em 1969, faltando três rodadas para o Botafogo Futebol Clube conquistar o bicampeonato, Zito Camburão deixou o clube e foi transferido para o ABC Futebol Clube, da vizinha cidade de Natal, onde conquistou o vice-campeonato potiguar.

Depois de sua passagem pelo futebol do Rio Grande do Norte, Zito Camburão jogou por vários anos no estado do poeta Gonçalves Dias, vestindo as camisas do Moto Clube, do Caxias Futebol Clube e da Sociedade Imperatriz de Desportos. Em seguida, jogou na Associação Desportiva Confiança, de Aracaju, Agremiação Sportiva Arapiraquense, o ASA de Arapiraca, Alagoas e no Parnahyba Sport Club, da cidade de Parnaíba, estado do Piauí.

Em 1974, Zito pendurou definitivamente as suas famosas chuteiras. No dia quatro de junho de 2014, este cronista exercia o cargo de vice-presidente do social do Botafogo Futebol Clube, oportunidade em que organizou uma singela homenagem ao ex-atleta Zito Camburão, quando do jogo entre o Botafogo e o Sousa no estádio Almeidão, entregando-lhe um diploma de honra ao mérito, o “troféu Nininho o Fiapo de Ouro” e uma linda camisa do clube com o seu nome escrito nas costas.

Lamentavelmente, Zito Camburão, recentemente nos deixou em decorrência de vários problemas de saúde que vinha enfrentando nos últimos anos.

Para nós torcedores, cronistas e desportistas ficou a certeza de que José Jeremias de Lima Filho, o popular “ZITO CAMBURÃO” escreveu o seu nome com tintas douradas e perpétuas na brilhante história do futebol paraibano.

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DI LORENZO SERPA – Colunista, cronista esportivo, delegado da Polícia Civil-PB e ex-auditor do Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba (TJDF-PB)

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